Lutadora Aline Silva revela ter sofrido assédio sexual e encoraja denúncias

A voz embargada não parece a da mulher forte e decidida que estamos acostumados a ver lutar. E não é à toa. Aline Silva nunca tinha falado publicamente sobre a violência sofrida quando ainda era uma menina. E por um motivo: como a maioria das mulheres, Aline não se sentia segura para falar:
 
- Nós não vivemos num ambiente que traz segurança. A sociedade não está preparada para falar e proteger as nossas meninas, as nossas garotas, as nossas mulheres. E é por isso que um monte de história ainda está calada.
 
Impulsionada pelas várias vozes femininas que romperam o silêncio, através de campanhas pela internet como #MeToo (Eu Também), #ChegaDeFiuFiu, #MeuAmigoSecreto, #PrimeiroAssédio, entre muitas outras, Aline toma coragem e revela o que aconteceu quando tinha apenas 11 anos:
 
- A pior lembrança que eu tenho é de um menino chamando a atenção do outro por estar mexendo no meu corpo. Isso para mim é muito difícil...É muito difícil lidar com o assunto.
Aline conta que esse episódio infelizmente não foi o único e confessa que ainda não está preparada para relatar outros assédios que sofreu.
 
- Tem coisas que eu estou me preparando para começar a contar. É tão difícil, é tão vergonhoso, e a mulher é criada com esse sentimento de vergonha.
 
Recente levantamento do Datafolha aponta que 40% das mulheres brasileiras acima de 16 anos sofreram algum tipo de assédio, o que inclui comentários desrespeitosos nas ruas, assédio físico em transporte público, ser agarrada sem consentimento. Além disso, outras estatísticas são assustadoras: em média, 135 estupros são registrados por dia no Brasil, sendo que 61% dos agressores são pessoas próximas à vítima, enquanto apenas 48% das mulheres reagem ao sofrer assédio.